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Marketing e captação

Como conseguir pacientes na psicologia sem ferir o Código de Ética

Manuel Bahamonde5 min de leitura

Divulgar o próprio trabalho costuma ser a parte mais desconfortável da vida do psicólogo em consultório próprio. Parte disso é formação — a clínica não é vendida como produto. Parte é insegurança sobre o que o Conselho permite.

A regra, em uma frase: você pode divulgar seu serviço; não pode prometer resultado, sensacionalizar o sofrimento nem usar o paciente como propaganda.

O que o Código de Ética veda

O Código de Ética Profissional do Psicólogo é a norma que rege isso. Os pontos que mais geram denúncia:

  • Promessa de resultado. “Cura a ansiedade em 8 sessões” está fora. Você oferece um processo, não um desfecho garantido.
  • Depoimento de paciente. Usar o relato de quem você atende como material publicitário quebra sigilo e cria constrangimento na relação — mesmo com autorização.
  • Sensacionalismo. Apelo ao medo, caso dramatizado, “antes e depois”.
  • Autopromoção com desqualificação de colegas ou de outras abordagens.
  • Anúncio de preço como chamariz. Informar o valor a quem pergunta é uma coisa; usar preço baixo como argumento de venda é outra.
  • Divulgação de técnica não reconhecida ou de título que você não tem.

O que pode: informar sua formação, sua abordagem, seu público, seus horários, seu endereço, seu CRP e o que o processo terapêutico é. Nome completo e número de registro no CRP são, aliás, informação obrigatória na divulgação. Conteúdo educativo sobre saúde mental, sem prometer nada, é permitido e é justamente o que funciona.

Confirme a redação vigente na lista de resoluções do CFP e no site do seu CRP. As resoluções são revisadas periodicamente, e vários CRPs publicam cartilhas de divulgação profissional com exemplos comentados.

A ordem que realmente funciona

Ordenado por retorno sobre esforço, do maior para o menor.

1. Rede de encaminhamento (o canal nº 1)

Rede de encaminhamento é o conjunto de profissionais que mandam pacientes para você porque conhecem o seu recorte de atuação.

A maior parte dos pacientes de consultório chega por indicação. Não da propaganda: de outro profissional.

Quem encaminha psicólogo, na prática:

  • Psiquiatras — o encaminhamento mais frequente e mais qualificado;
  • Médicos de família, pediatras, ginecologistas;
  • Nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos;
  • Outros psicólogos com agenda cheia ou com recorte diferente do seu;
  • Escolas e coordenações pedagógicas, se você atende crianças e adolescentes.

Como construir isso sem parecer vendedor:

  1. Liste 15 profissionais da sua região com público próximo ao seu.
  2. Apresente-se por mensagem, curta e concreta: quem você é, o que atende, onde, e que está com agenda aberta.
  3. Devolva o encaminhamento. Quando alguém que você atende precisa de psiquiatra ou nutricionista, indique quem indicou você. A rede se sustenta na reciprocidade, não no pedido.
  4. Quando receber um encaminhamento, agradeça e feche o ciclo — sem revelar conteúdo clínico. “Recebi o encaminhamento, o atendimento está em curso, obrigada” basta.

Esse é o canal mais barato e mais estável que existe. É também o que a maioria negligencia porque não dá resultado na primeira semana.

2. Google Perfil da Empresa

Muita gente busca “psicólogo perto de mim” ou “psicólogo em [bairro]” e clica no que aparece no mapa. Um perfil gratuito bem preenchido coloca você lá.

O que preencher: nome profissional, categoria “Psicólogo”, endereço (ou área de atendimento, se for só online), horário, telefone, link do site ou do agendamento, e fotos reais da sala — nunca banco de imagens.

Peça avaliações com cuidado: avaliação de paciente descrevendo o atendimento entra em área cinzenta de sigilo. É mais seguro deixar que aconteçam espontaneamente do que solicitá-las.

3. Uma página própria

Não precisa ser um site grande. Precisa ter:

  • quem você é, com CRP e formação;
  • o que você atende, com clareza de recorte;
  • como funciona uma sessão: duração, frequência, modalidade;
  • onde: endereço ou “atendimento online”, regido hoje pela Resolução CFP nº 09/2024, que dispensou o antigo cadastro no e-Psi;
  • um jeito óbvio de marcar — botão de WhatsApp ou link de agendamento, visível sem rolar a página.

A página existe para converter quem já ouviu falar de você. Ela não precisa atrair ninguém sozinha.

4. Conteúdo, se você gostar de fazer

Instagram, newsletter ou vídeo funcionam — para quem mantém constância. Publicar por três semanas e sumir não traz paciente nenhum, e consome o tempo que renderia mais na rede de encaminhamento.

Se for fazer, escolha um recorte: “ansiedade em adultos jovens”, “maternidade”, “luto”, “primeira terapia”. Conteúdo genérico sobre saúde mental compete com milhares de perfis; recorte específico encontra quem está procurando exatamente aquilo.

E cuide do básico: nada de caso clínico, mesmo “disfarçado”. Paciente reconhece a própria história.

Se você atende a distância, o canal muda de peso: some a busca por proximidade geográfica. Veja Atendimento psicológico online.

5. Plataformas de agendamento

Trazem volume rápido e cobram comissão por sessão. São úteis para preencher os primeiros meses. O erro é depender delas: quem constrói a agenda inteira em plataforma fica refém da política de preço e do algoritmo de outra empresa.

O que fazer com quem chega

Captação boa, atendimento de contato ruim: é aqui que se perde mais paciente do que em qualquer etapa anterior.

  • Responda em até 24 horas. Quem procura psicólogo geralmente contatou três ao mesmo tempo. Responde primeiro, atende.
  • Ofereça horário concreto, não “me diga sua disponibilidade”.
  • Diga o valor quando perguntarem, sem rodeio. Se ainda não definiu o seu, comece por Quanto cobrar por sessão de psicologia.
  • Confirme por escrito data, horário e endereço.
  • Mande lembrete 24 horas antes da primeira sessão. A taxa de não comparecimento na primeira consulta é a maior de todas, e o roteiro completo está em Como organizar a agenda e reduzir faltas.

Meça o que está funcionando

Uma pergunta na primeira sessão resolve: “Como você chegou até mim?”. Anote a resposta no cadastro.

A captação é uma das cinco áreas tratadas em Gestão de consultório de psicologia: o guia completo. Em três meses você vai saber, com números, qual canal sustenta seu consultório — e vai parar de investir esforço no que só parecia estar funcionando.

No GestorPsicologo dá para registrar a origem de cada paciente no cadastro e acompanhar o crescimento da base mês a mês, além dos lembretes automáticos que seguram a primeira consulta.

Fontes

  1. Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 010/2005) — Conselho Federal de Psicologia
  2. Resoluções vigentes do Conselho Federal de Psicologia — Conselho Federal de Psicologia
  3. Resolução CFP nº 09/2024 — exercício profissional mediado por tecnologias digitais (TDICs) — Conselho Federal de Psicologia

Normas e regras tributárias são revisadas periodicamente. Confirme a redação vigente na fonte antes de tomar uma decisão.

Escrito por

Manuel Bahamonde

Fundador do GestorPsicologo

Construiu o GestorPsicologo depois de acompanhar de perto a rotina administrativa de consultórios de psicologia. Escreve sobre a parte do consultório que a formação clínica não cobre: agenda, prontuário, preço e imposto.

contato@gestorpsicologo.com.br

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